Associação Portuguesa de Literatura Comparada
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20-01-2026

Foto RTP Arquivo
Dizem que a morte é uma invenção da vida para que a vida se renove em cada nascimento.
Dizem que os seres humanos, tal como as maçãs, caem das árvores para que a semente caia na terra e a maçã nunca morra.
Dizem que a arte é imortal, mas é só porque ela permite que o espírito viva, renovada mente em cada leitor.
Dizem que as palavras ditas se esquecem, mas que as escritas permanecem, como belas adormecidas à espera de quem as beije.
Dizem que a morte é uma curva da estrada, somente deixar de ser visto, e que se escutarmos com atenção ouviremos inda a passada de quem existe como nós existimos.
Dizem que no dia seguinte ninguém morreu, e que, nesta ficção, qualquer fim é somente um novo início, em que o apocalipse termina no génesis.
Dizem que estas crenças são as únicas que nos distinguem dos animais. Os arqueólogos, quando não encontram vestígios de um ser humano pelos objetos que o rodeiam, só reconhecem um ser humano quando o veem dobrado como se fosse uma criança a crescer no ventre de sua mãe.
Dizem isto porque é o que fazemos. Prolongamos a vida, vendo, imitando pela força da atração, aprendendo, revendo, relendo, reescrevendo.
Assim seja. Assim façamos.
Morreu hoje, na madrugada do dia 20 de janeiro de 2026, Maria Alzira Seixo (1941-2026). Professora, investigadora, poeta, pioneira em tantos rumos que foi tomando a Literatura Comparada em Portugal, Maria Alzira Seixo foi fundadora e presidente da Associação Portuguesa de Literatura Comparada (1987) e, nesse contexto, criou e dirigiu a revista Dedalus que lhe está ainda hoje ligada. Entre 1991 e 1994, presidiu à Associação Internacional de Literatura Comparada (AILC/ ICLA).
Um dia, perante uma pergunta indiscreta, elegeu como livro da sua vida Em busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. Em suma, porque lhe fazia ler mais, ler melhor. Bem podia ela estar-nos falando então do que nos quer ainda hoje fazer.
Bibliografia principal (ensaios)
A expressão do tempo no romance português contemporâneo (1968) (2.ª edição Lisboa: IN-CM, 1986: Prémio Vergílio Ferreira, em 2011).
Discursos do texto, Amadora : Livraria Bertrand, 1977
Le parcours du plaisir. Essai d’analyse d’un texte français du XVIIe. siècle: “Francion” de Charles Sorel, Paris : Fondation Calouste Gulbenkian/ CCP, 1985
A palavra do romance. Ensaios de genologia e análise, Lisboa: Livros Horizonte, 1986. Prémio P.E.N. Clube Português de Ensaio.
O essencial sobre José Saramago, Lisboa: IN-CM, 1987
Lesen, Unbegrenzt Reisen. Die Portugiesen Und Die Welt./ O Livro e a Viagem sem limites. As Letras Portuguesas e o Mundo. Catálogo da exposição homónima do Ano de Portugal em Frankfurt, Introdução e Antologia, Lisboa: CNCDP, 1997
A Viagem na Literatura (coord.), Cursos da Arrábida, vol. 1. Lisboa: Publ. Europa-América, 1997
Poéticas da viagem na literatura, Lisboa: Cosmos, 1998
Les Récits de voyage: typologie, historicité, Lisboa: Cosmos, 1998
O Discurso Literário da “Peregrinação”, Lisboa: Cosmos, 1999
Lugares da ficção em José Saramago. O essencial e outros ensaios, Lisboa: IN-CM, 1999. Prémio Jacinto do Prado Coelho, do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, em 1999.
A Vertigem do Oriente. Modalidades discursivas no encontro de culturas (co-ed.), Lisboa: Cosmos/ Instituto Português do Oriente, 1999
Pessoa : unité, diversité, obliquité. Colloque de Cerisy (co-dir.), Paris: Christian Bourgois, 2000
The Paths of Multiculturalism. Travel Writings and Postcolonialism (ed.), Lisboa: Cosmos, 2000
Writing and Cultural Memory, Amsterdam/ Atlanta: Rodopi, 2000
Le sens du voyage dans l’écriture romanesque, ed. bilingue francês/grego, Athens: Cener Neoellenikon, 2000
Outros erros. Ensaios de literatura, Porto: Asa, 2001. Prémio P.E.N. Clube Português de Ensaio, 2002.
Eu fui ao mar às laranjas : ensaio sobre Luísa Dacosta, in “Duas Obras Ilustradas de Luísa Dacosta”, Porto: Asa, 2001, pp. 18-19. 2001
Os romances de António Lobo Antunes : análise, interpretação, resumos e guiões de leitura, Lisboa: Dom Quixote, 2002. Grande Prémio de Ensaio Literário APE/PT, 2002.
Poesia
Letra da terra (Poesia). Com 3 desenhos de Ângelo de Sousa, Porto: O Oiro do Dia, 1983. 2.ª edição, Porto: Modo de Ler: 2017
Diário do lago (Poesia). Com 1 desenho de Armando Alves, Porto: Asa, 2001
Pela Direção da APLC,
Maria Luísa Malato
20-12-2024
Estimados Associados da APLC,
A Equipa da Associação Portuguesa de Literatura Comparada deseja a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
Que 2025 vos traga Paz, Amor, Saúde e esteja repleto de sucessos pessoais e profissionais.
Transcrevemos infra o poema “Voto de Natal” de David Mourão-Ferreira, que ofertamos a todos:
VOTO DE NATAL
Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.
E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!
Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.
Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas mãos nos meus dedos tão frios?
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.
David Mourão-Ferreira, ‘Cancioneiro de Natal’
21-11-2024
Prezadas Associadas,
Prezados Associados,
É com muito gosto que anunciamos a apresentação do novo site da Associação Portuguesa de Literatura Comparada – APLC https://aplc.org.pt/ conforme previsto no plano de actividades.
Poderão também aceder ao EJICOMP – Encontros de Jovens Investigadores em Literatura Comparada que doravante passa a integrar o portal da APLC.
O acesso a todos os números da Dedalus – Revista Portuguesa de Literatura Comparada também já está disponível em https://revistadedalus.pt
Poderão ainda consultar o prometido Mural fotográfico do VIII Congresso Internacional da APLC, uma organização conjunta da Universidade de Évora e da Universidade da Madeira que decorreu, na Universidade de Évora, de 12 a 14 de Outubro de 2022.
Claro que o site da APLC ainda poderá sofrer algumas correcções pontuais decorrentes, por exemplo, da actualização da listagem dos associados efectivos da APLC com as quotas em dia, um trabalho exigente e moroso que está em curso e a cargo da Tesoureira Ana Raquel Fernandes.
Odete Jubilado e Ana Isabel Moniz
